Rosangela Patriota

Memória coletiva, memória individual e História Cultural

O tema central desta coletânea (“Memória Coletiva, Memória Individual e História Cultural”), de fato, permite e estimula muitas possibilidades de trabalho. Como organizadores, nossa proposta inicial era exatamente oferecer um espaço de interlocução de modo que pesquisadores diversos, e em momentos diferentes de suas formações, pudessem apresentar suas ideias publicamente e de maneira produtiva, colocando-as à disposição para serem debatidas.
Acreditamos, salvo melhor juízo do leitor, que nosso objetivo foi alcançado. Com efeito, frutos do esforço de pesquisadores experientes como André Luis Bertelli Duarte, Francisco de Assis de Sousa Nascimento, Heloisa Selma Fernandes Capel, Irene Vaquinhas, Julierme Morais, Nádia Maria Weber Santos, Paulo Roberto Monteiro de Araujo, Regina Weber, Rodrigo de Freitas Costa, Thaís Leão Vieira e, por último, mas não menos importante, Alcides Freire Ramos e Rosangela Patriota, as reflexões aqui publicadas oferecem a oportunidade para refletir acerca das diferentes maneiras de produzir conhecimento em história em sua interface com os debates teórico-metodológicos atinentes aos diálogos com as memórias.
Com efeito, nas últimas décadas, os horizontes investigativos e de pesquisa do Historiador Cultural ampliaram-se, sobretudo graças aos estímulos proporcionados por temas e objetos privilegiados pelos historiadores que se voltam para esse campo. O propósito desta coletânea, que agora chega às suas mãos, é o de enfrentar tanto desafios teóricos e interpretativos, quanto analisar procedimentos e práticas atinentes ao ofício do historiador que se volta para a História Cultural.
Por fim, antes de colocar o ponto do final nesta breve Apresentação, cabe-nos desejar a você, caro leitor, uma boa viagem, tendo como bússola as ideias contidas nas páginas que seguem…

História Cultural: Memória e Sociedade

“História Cultural: Memória e Sociedade” esse é o eixo que articula, em termos temáticos, a presente coletânea, que é fruto de uma iniciativa do GT Nacional de História Cultural, grupo que tem se mantido ativo e atuante desde a sua fundação, ocorrida em julho de 2001. Se em publicações anteriores, promovidas pelo GT, temas como Sensibilidades, Sociabilidades, Imagens, Linguagens, Representações, Paisagens e/ou as Escritas da História foram os eixos norteadores, nesta nova iniciativa, por decisão do Comitê Científico do GT, a presente coletânea se propõe a esquadrinhar, de maneira aprofundada, uma temática de grande interesse para os historiadores, a saber: as interfaces existentes entre História Cultural, as memórias individual e coletiva. Com efeito, trata-se de um assunto que continua mobilizando o conjunto dos historiadores, mas o interesse, aqui, não era o de discussões demasiadamente amplas, descoladas de objetos específicos. Pelo contrário. A escolha dessa perspectiva de investigação nasceu, em primeiro lugar, da vontade dos integrantes do GT em estudar algo específico: o impacto das diversas dimensões da memória sobre a História Cultural. Assim, depois de delineados os contornos gerais da proposta, pensou-se no aprofundamento dos diálogos teóricos e metodológicos que dão sustentação às nossas pesquisas. Esse aprofundamento das reflexões em torno das possibilidades de diálogo entre as memórias individual e coletiva com a História Cultural teve como resultado, pouco a pouco, um profícuo entrecruzamento com temas e/ou objetos de pesquisa mais especificos: teatro, cinema, fotografia, literatura, entre outros. Portanto, nas páginas que seguem, o leitor encontrará estudos de autores diversos, alicerçados em pesquisas sólidas e inspirados por essa perspectiva mais ampla, ou seja, a de descortinar as multiplas articulações possíveis entre a História Cultural e as memórias individual e coletiva. Enfim, essa brevíssima apresentação é, acima de tudo, um convite para que você, leitor, mergulhe com curiosidade em nossas discussões.

Circularidades políticas e culturais: formas – circuitos – recepção

Circularidades Políticas e Culturais têm sido o eixo temático que congregou um grupo de pesquisa estruturado internacionalmente. Criado no ano de 2010, ele promove reuniões alternadas entre Brasil e Itália com o intuito de ampliar e renovar sua interlocução, tendo sempre como horizonte o campo da circularidades. Após a publicação de Circularidades políticas e culturais: percursos investigativos (Hucitec, 2012), Circularidades políticas e culturais: fronteiras – linguagens – cidadania (Edições Verona, 2015), Politica in Scena – teatro e cinema tra Europa e America Latina (Euno Edizioni, 2017), este grupo traz a público este volume intitulado Circularidades políticas e culturais: formas – circuitos – recepção (Edições Verona, 2017), com o intuito de pensar o trabalho do historiador para além das dimensões críticas dos documentos analisados. Dito de outra maneira: a partir da confecção dos documentos é possível apreender seus circuitos e níveis de recepção? Tais indagações são de extrema importância quando se explicita que a produção desse material não é meramente aleatória. Pelo contrário, ela guarda sentidos e intenções, assim como, em princípio, visa a um público ideal. De posse dessas premissas, a motivação que congregou os colaboradores desse volume foi a de perceber como práticas socioculturais instituem relações simbólicas.

História e imagens: jornadas com Didi-Huberman

Com extrema erudição, Georges Didi-Huberman congrega o pensamento clássico e contemporâneo sobre as linguagens e lhes confere uma interpretação singular. Como resultado das reflexões em torno da obra de Georges Didi-Huberman, o livro reúne textos de pesquisadores ativos em três grupos de pesquisa: Grupo de Estudos de História e Imagens (GEHIM), Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (NEHAC) e Grupo de Pesquisa Interartes: Processos e Sistemas Interartísticos e Estudos de Performance (GEIEP). Distribuídos em cinco jornadas, os ensaios presentes no livro fazem dialogar seus temas de investigação com o pensamento de Georges Didi-Huberman. Partem de pesquisas sólidas que buscam articulações com a obra do autor e discutem suas provocações teórico-epistemológicas.

Circularidades Políticas e Culturais: Fronteiras – Linguagens – Cidadania

“Circularidades Políticas e Culturais” é o eixo temático que congregou um grupo de pesquisa estruturado internacionalmente. Criado no ano de 2010, esse grupo promove reuniões anuais alternadas entre Brasil e Itália, com o intuito de ampliar e renovar a sua interlocução, tendo sempre como horizonte o campo das circularidades. A escolha dessa perspectiva de investigação nasceu da vontade dos integrantes do projeto em estudar o impacto da cultura italiana no repertório artístico e intelectual da sociedade brasileira. Neste livro, que agora está disponível nas estantes virtuais, o leitor poderá tomar contato com uma parte significativa dos resultados obtidos.